SORAYA FERREIRA ALVES

TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA:

INTERFACES, RESSIGNIFICAÇÕES E CRÍTICA DAS ADAPTAÇÕES DA LITERATURA PARA O CINEMA


Resumo
  No momento em que a adaptação audiovisual derivada de uma obra literária produz signos que traduzem signos dessa obra, são acrescentadas marcas que não estavam presentes no livro aos novos signos criados. No instante em que a obra literária e sua adaptação se apresentam como signos um do outro, cada signo é entendido como uma tradução. Assim, a passagem de um sistema verbal para um não-verbal se constitui como um processo tradutório, em que se trabalha com dois signos: o traduzido, que é a obra literária em si, e o signo tradutor, que é a tradução para a mídia, quer seja em forma de novelas, mini-séries, documentários, videogames, filmes, quadrinhos, ou outros. Nessa perspectiva, este projeto tem por objetivo analisar as estratégias utilizadas nas adaptações da literatura de obras de autores brasileiros para o cinema também brasileiro, no contexto da atualidade. Com base na bibliografia estudada, pretende discutir as novas concepções e alcances da tradução para o cinema; investigar em que medida as estratégias utilizadas nas adaptações estudadas causam a ressignificação das obras; e verificar a posição da crítica atual em relação a essas adaptações. Para tanto, será analisado o processo de tradução e recepção de obras literárias para o cinema a partir de um corpus formado por filmes de diretores brasileiros gerados a partir de obras literárias brasileiras no período entre 2005 e 2010. O primeiro passo será a leitura e discussão da bibliografia sobre o assunto. Será feita, então, a análise das obras literárias do corpus para a discutição das estratégias utilizadas pelos profissionais na sua tradução/adaptação, bem como um levantamento da opinião da crítica brasileira sobre essas adaptações. A análise terá como base os Estudos Descritivos de Tradução, a Teoria Semiótica, Teorias Literárias, Linguagem Cinematográfica e sobre Adaptação. A partir dos resultados obtidos, esta pesquisa pretende propor uma metodologia de análise consistente que contribua para o entendimento do processo tradutório audiovisual, bem como para a crítica de produções cinematográficas adaptadas. Pretende, também, fazer um levantamento sobre a crítica especializada brasileira a fim de verificar sua opinião sobre o as adaptações pertencentes ao corpus.


1. Introdução


  A chamada Sociedade da Informação, na qual estamos vivendo hoje, caracteriza-se pela velocidade das transformações tecnológicas e pelo hibridismo sem precedentes dos meios de comunicação. Portanto, reflexões sobre as teorias e práticas da tradução se fazem cada vez mais necessárias a medida que, como observa Catrysse (1997), novos meios de comunicação trazem novos meios de processar mensagens e de traduzir e, como afirma Stuart Hall (2003), a tradução é produto de cruzamentos e misturas culturais que são transportados pelo mundo. Nesse contexto, chama-se tradução não somente a prática interligual, na qual um texto verbal em uma determinada língua é traduzido para outra língua; mas também operações intersemióticas, onde um texto pertencente a um sistema de signos (verbal, visual, sonoro, etc.) é traduzido para outro sistema de signos, como define Plaza (1987). Neste projeto, o tipo de tradução que iremos abordar é a tradução intersemiótica da literatura para o cinema ou adaptação.

  Atualmente, muitos livros têm sido traduzidos para a mídia, e sempre se ouvem críticas comparando o trabalho literário com sua adaptação. Isso ocorre porque tais análises levam em consideração apenas o critério da literalidade. Assim, a análise tende a colocar a adaptação em uma posição desprivilegiada em relação à obra escrita, pois, além de ignorar o contexto histórico-social da obra e de sua tradução audiovisual, não leva em consideração que o trabalho está sendo traduzido para um sistema de signos diferente e que, portanto, deve apresentar estratégias novas. Como explica Dick (1990: 183), a fidelidade em tradução é impossível. Em cada releitura ou interpretação é inevitável que se mude o texto de partida e que o produto seja uma nova obra, principalmente quando trabalhamos com dois sistemas sígnicos diferentes ou com obras que estão sendo traduzidas para novos contextos culturais e temporais.

  Para Lages (2002), na verdade, o tradutor deve ter liberdade para realizar seu trabalho de traduzir, pois, ao fazê-lo, ele está criando um novo produto, o que o leva a responder pela sua obra. Como explica Seligmann-Silva (2005, p.206), “A política da tradução antimimética destrói a noção de um original estanque, cristalizado e imune à ação do tempo e da interação entre culturas.” Essa visão da tradução como não tendo a tarefa de ser fiel a um original, mas a de pensar no próprio original como um texto dinâmico, sujeito a diferentes interpretantes (no sentido peirceano de ser o efeito que uma dada representação provoca em um possível intérprete) e interpretações, nos ajuda sobremaneira na nossa empreitada de verificar as estratégias tradutórias das adaptações.

  Recentemente, tanto no Brasil como no exterior, os estudos sobre adaptação têm se intensificado.

  A presente pesquisa tem como base dois outros projetos, um intitulado “Tradução intersemiótica: a transmutação de obras literárias para o cinema” e outro, “Tradução Intersemiótica: adaptações da literatura para a mídia – cinema, televisão, quadrinhos, videogame”, desenvolvidos junto à Universidade Estadual do Ceará – UECE. O primeiro que teve como proposta analisar o processo de tradução e recepção de obras literárias para o cinema a partir de um corpus formado por 21 filmes gerados a partir de obras literárias. Esses filmes foram exibidos em Fortaleza em 2001 e 2003. O segundo analisou o processo de tradução e recepção de obras literárias para a mídia a partir de um corpus formado por peças midiáticas geradas a partir de obras literárias no período entre 2003 e 2007. Vários resultados foram obtidos a partir das discussões de um grupo de pesquisa (formado por alunos da graduação em Letras e da pós-graduação em Linguística Aplicada e que tinha reuniões semanais regulares), como participações em Congressos, publicações em periódicos, além de trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e pesquisas de iniciação científica.

  Vale ressaltar que os referidos projetos tiveram o apoio de diferentes instituições de apóio à pesquisa em forma de bolsas:

Aline de Sousa Moura. Capitu: a tradução intersemiótica do romance Dom Casmurro para televisão. 2008 e 2009. Iniciação Científica. (Graduando em Letras) - Universidade Estadual do Ceará, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Orientador: Soraya Ferreira Alves

Karoline Matos Monteiro. A possibilidade do olhar da câmera na adaptação fílmica Ensaio sobre a cegueira. 2008 e 2009. Iniciação Científica. (Graduando em Letras) - Universidade Estadual do Ceará, Universidade Estadual do Ceará – IC-UECE. Orientador: Soraya Ferreira Alves

Livia Costa. Análise da adaptação do conto A pequena sereia de Hans Christian Andersen para o cinema pelos estúdios Walt Disney. 2008. Iniciação Científica. (Graduando em Letras) - Universidade Estadual do Ceará, Fundação Cearense de apoio a pesquisa - FUNCAP. Orientador: Soraya Ferreira Alves

Monique Lima Ferreira. A análise da tradução do livro Memorial De Maria Moura para a mini-série homônima. 2007. Iniciação Científica. (Graduando em Letras) - Universidade Estadual do Ceará, Universidade Estadual do Ceará- IE-UECE. Orientador: Soraya Ferreira Alves

Eden Aquino Dantas. A Adaptação de animes para a televisão. 2007. Iniciação Científica. (Graduando em Letras) - Universidade Estadual do Ceará, Fundação Cearense de apoio a pesquisa - FUNCAP. Orientador: Soraya Ferreira Alves

  Tendo como base esses resultados, sente-se agora a necessidade de propor novas abordagens para os estudos da tradução de obras literárias para a mídia, uma vez que se percebe que os textos sobre o assunto ainda carecem de uma proposta segura para a contemplação do tema. Também verifica-se que pesquisas efetivas sobre a crítica a essas adaptações são escassas e insuficientes.  Nossa proposta atual seria a de encontrar um método para que a comparação entre os sistemas de signos fosse realizada, levando-se em conta as peculiaridades de cada meio, além do contexto histórico e cultural em que a obra está inserida, a fim de verificar em que medida as obras literárias são ressignificadas e quais as implicações semiótico-culturais dessas ressignificações. Pretende também verificar como a crítica brasileira se comporta em suas análises às adaptações, ou seja, se procura entender as implicações das ressignificações operadas pelos filmes ou se leva em conta apenas o conceito de fidelidade à obra literária.


2. Revisão de Literatura:

 

  A tradução, como atividade prática, remonta aos tempos romanos antigos e foi, durante muito tempo, rigidamente considerada como “certa” ou “errada”, “fiel” ou “livre”. Pouca importância foi atribuída ao ato tradutório como processo através do qual a atuação real do tradutor ocorre. Como produto, porém, a tradução continua sendo, em certa medida, estudada, criticada e até mesmo julgada, a partir dos mesmos critérios tradicionais de fidelidade que nortearam sua prática até pouco tempo. Com o Pós-estruturalismo e a Pós-modernidade, os modelos teóricos têm se modificado, e atualmente entende-se a tradução como uma transformação. Relacionam-na até à concepção de criação, como evidencia o termo “transcriação”, de Haroldo de Campos.

  É precisamente a procura pela equivalência que tem delineado a principal dificuldade da prática tradutória, ao mesmo tempo em que o papel central dos teóricos é definir o caráter e as condições de equivalência em tradução. Contudo, apesar de ser uma questão pertinente, ela tende a integrar enunciados que adotam como pressuposto algumas relações polarizadoras extensivamente estipuladas entre tradução “literal” e tradução “livre”.

  Para Roman Jakobson (1991: 65), a tradução envolve “duas mensagens equivalentes em dois códigos diferentes”, como afirma que “a equivalência na diferença é o problema principal da linguagem e a principal preocupação lingüística”. Ainda que a noção de fidelidade ao original como obra única, sagrada e inalterável continue a perturbar os tradutores atuais, cada vez mais as traduções vêm sendo tomadas não como produtos emanados do original, mas como frutos de leituras diversas, que passam a ser vistas como signos icônicos umas das outras. Nesse aspecto, a tradução é considerada uma atividade semiótica, e, portanto, digna de uma maior liberdade e criatividade.

  O conceito de “equivalência” também deriva do fato de que qualquer linguagem possui uma ordenação básica, ou seja, os signos não se aglomeram, mas são como sistemas organizados semântica sintaticamente. A tradução se comporta como um processo de transformação de um texto, estabelecido por um determinado sistema semiótico, em outro texto, pertencente a outro sistema semiótico. É necessário, portanto, analisar as condições que permitem a transformação de um texto em outro. Rodrigues (2000: 200) diz que “falar em equivalência é remeter ao fim do movimento, a significados atados aos significantes, que possam ser compreendidos, não interpretados”. Assim, no instante em que queremos atribuir um mesmo valor ou obter correspondência entre dois termos em duas diferentes línguas, temos em mente que os significados estão fixos no texto, ou no sistema, fora do jogo que eles instauram. Em outras palavras, ao pensarmos dessa forma, estamos nos baseando na univocidade, na possibilidade de uma leitura definitiva que encerra o jogo da intertextualidade e existe enquanto verdadeira e única.

  André Lefevere e Gideon Toury, em cujas idéias sobre tradução esta pesquisa se baseará, são dois teóricos que rejeitam a noção de equivalência como construto definido baseado no texto de partida, isto é, um ideal a ser atingido e que depende de regras formuladas pelos teóricos. As pesquisas de ambos estão inseridas nos domínios de uma disciplina denominada Estudos da Tradução. Teorias como as de Susan Bassnett, do grupo Anglo-americano, e Itamar Even-Zohar, da Escola de Tel Aviv, também estão inseridas neste campo de pesquisa. Lefevere analisa a tradução literária e estuda os fatores que influenciaram a produção de traduções em determinadas épocas ou tradições. Analisando os seus trabalhos entre 1981 e 1992, podemos observar sua concepção de tradução como “reescritura”. Ele critica tanto abordagens teóricas de fundamentação literária quanto lingüística, uma vez que considera que a quase total estagnação dos estudos de tradução foi fruto da orientação dada pelas abordagens de caráter normativo. Em lugar de tecer minuciosas comparações entre original e tradução, Lefevere e Bassnett (apud Rodrigues, 2000: 125), na introdução da coletânea Translation, history and culture, deixam claro que se deve evitar qualquer juízo de valor, ao afirmarem: O leitor não vai mais encontrar minuciosas comparações entre originais e traduções; porque tais comparações, além de falsamente reforçarem a idéia do texto-enquanto-unidade, tendem a ser vítimas da “teoria invisível” do tertium comparationis, implicitamente postulado para garantir julgamentos sobre o motivo de uma determinada tradução (normalmente a proposta pelo escritor do trabalho em questão) ser melhor que a outra.

  Para Lefevere (1992: 8), a tradução é, indubitavelmente, a reescritura de um texto de partida. Para justificar esse posicionamento, Lefevere apresenta o poder das reescrituras para estabelecer novos conceitos, gêneros e mecanismos numa determinada sociedade. As reescrituras, para ele, encerram um papel de ampla significância na difusão de uma obra literária num determinado sistema. As transformações sofridas pela obra literária, ao ser adaptada para a mídia, vão muito além das exigidas pela mudança do sistema semiótico. Diversos fatores, que não os intersemióticos, insinuam-se no texto no decorrer do processo tradutório. Nesse sentido, mostra-se útil a noção peirceana de “interpretante”, que é o conjunto de possibilidades interpretativas de um signo, num certo momento da cadeia semiótica. Dentro desse conjunto de possibilidades, o intérprete estabelecerá seu próprio interpretante, que pode pertencer a três diferentes níveis: o objetivo, o individual e o cultural. Este último, a cultura como interpretante, manifesta-se mais fortemente.

  Peirce (apud Plaza, 2001:17) considera o signo não como uma entidade monolítica, mas “um complexo de relações triádicas” (signo, objeto e interpretante), que têm um poder de autogeração. Essa definição de signo explica o processo de semiose como transformação de signos em signos, uma relação de momentos num processo seqüencial-sucessivo ininterrupto. Dessa forma, o autor explica que “A idéia mais simples de terceiridade dotada de interesse filosófico é a idéia de um signo ou representação. Um signo ‘representa’ algo para a idéia que provoca ou modifica”. Ou seja, é um veículo que comunica à mente algo do exterior. O representado é seu objeto; o comunicado, a significação; a idéia que provoca, o seu interpretante. O objeto de interpretação é uma representação que a primeira representação interpreta. Pode conceber-se que uma série sem fim de representações, cada uma delas representando a anterior, encontre um objeto absoluto como limite. Finalmente, o interpretante é outra representação e como representação também possui interpretante. Aí está nova série infinita.

  Assim, o significado de um signo pode ser definido como sendo sua tradução por outro signo que possa aparecer em seu lugar, especialmente um signo no qual este significado possa se desenvolver de um modo mais completo. Em outras palavras, um signo se define como sendo uma representação de algo, um instrumento que comunica algo do exterior, neste caso, essencial no processo comunicativo. Santaella (1985: 78), complementando as idéias de Peirce (1975: 94), mostra que “o signo é uma coisa que representa uma outra coisa”, diferente dele, que é seu objeto. Na verdade, o signo não se constitui como um objeto, apenas o substitui. Um signo em relação ao objeto a que se refere, pode ser classificado como ícone, índice ou símbolo.

  A tradução, como atividade semiótica, implica sempre um interpretante, a relação entre signos e um objeto, construída dentro de um leque de possibilidades. Podemos dizer que o interpretante resulta do ponto de vista sob o qual o objeto é tratado.

  O conceito de interpretante vem a ser uma noção muito útil nos estudos de tradução. Alguns estudiosos, como Júlio Pinto (1987) e Else Vieira (1996), vêm trabalhando com a idéia de que traduzir é criar signos interpretantes. Essa idéia tem sido, algumas vezes, confundida com o conceito de intérprete, mas, na verdade, para Peirce, se constitui como uma representação mental provinda do signo, ou uma representação mediada e, assim, se difere de significado. De acordo com o autor, um signo põe algo no lugar da idéia que ele produz ou modifica. O objeto é aquilo que ele substitui; o significado é o que ele coloca em seu lugar, o interpretante é e a idéia que ele faz surgir. Para Sebeok (apud Diniz 2003: 34) “O interpretante seria, pois, um signo que, de alguma maneira, traduz, explica ou desenvolve um signo prévio e assim continuamente, num processo de semiose infinita”. Para Diniz (2003: 34), ainda, na semiótica contemporânea, o interpretante pode ser: [...] “um sinônimo na mesma língua, uma definição expressa em língua formal ou natural, um signo correspondente em outro sistema semiótico, a exibição do objeto ao qual o termo se aplica, um ato de comportamento adquirido pela aproximação com o signo ou a série inteira de inferências suscitadas pelo signo”.

  Dessa maneira, a idéia de tradução de signos entre diferentes sistemas de linguagem é o que forma o conceito de tradução intersemiótica. Esta é um processo de criação que determina escolhas no interior de um sistema de signos estranho ao sistema original e leva à descoberta de outras realidades. Plaza (2001:30) entende que: [...] “os signos empregados têm tendência a formar novos objetos imediatos, novos sentidos e novas estruturas que, pela sua própria característica diferencial, tendem a se desvincular do original. A eleição de um sistema de signos, portanto, induz a linguagem a tomar caminhos e encaminhamentos inerentes à sua estrutura”.

  Para Peirce, o conceito de interpretante é o efeito que o signo produz no intérprete, a capacidade do signo em sugerir, significar, mas que já está inscrita no próprio signo. Assim, embora o signo se constitua como algo variável, que se modifica de acordo com o olhar do observador, ele também possui uma autonomia relativa em relação ao seu intérprete. Este somente atualiza alguns níveis de um poder inerente ao signo. Dessa forma, até o olhar autônomo do tradutor está comprometido com o signo que lê, objeto de sua representação. Em uma análise semiótica, faz-se necessário considerar os aspectos semióticos de todos os sistemas comparados e até que ponto a intertextualidade como semiose declarada e reveladora do processo de tradução está inscrita na adaptação.

  Jakobson (1995:64-65) contribuiu muito para a difusão de um novo conceito sobre tradução, descrevendo-a de um modo mais abrangente e distinguindo três modos diferentes para interpretar o signo (teoria posteriormente sistematizada por Plaza (2001), com base na semiótica peirceana):


1) Tradução Intralingual: é a tradução dos signos verbais por outros signos do mesmo idioma.

2) Tradução Interlingual: é a tradução dos signos verbais em signos de outra língua.

3) Tradução Intersemiótica ou transmutação: é a tradução de signos verbais em sistemas de signos não-verbais.


  Dessa forma, traduzir é reescrever um texto no mesmo idioma, em um idioma estrangeiro ou até mesmo em outro sistema semiótico, como uma pintura traduzida em poemas ou livros, ou como na adaptação de uma obra literária para o cinema. O significado de tradução é então ampliado e está agora diretamente relacionado com estudos semióticos. A obra literária e os sistemas midiáticos, no momento em que existem para significar, representam atividades semióticas. Para se compreender o caráter de cada um desses sistemas semióticos, é necessário entender os aspectos a eles inerentes, ou seja, que espécie de signos são empregados e como é a sua organização.

  Portanto, a análise de uma adaptação sob a perspectiva da tradução intersemiótica deve levar em consideração os signos literários usados na realização do texto, e sua relação com o signo midiático, produto da operação semiótica desempenhada. Na prática da adaptação, os elementos visuais, sonoros e verbais referem-se ao verbal da obra literária. Dependendo das escolhas efetuadas, ao ser traduzido para outro sistema de signos, o texto escrito apresenta caracteres icônicos, indiciais e simbólicos. No momento em que a adaptação audiovisual derivada de uma obra literária produz signos que traduzem signos dessa obra, são acrescentadas, necessariamente, marcas que não estavam presentes no livro aos novos signos criados. No instante em que a obra literária e sua adaptação se apresentam como signos icônicos um do outro, cada signo é entendido como uma transformação do outro, uma tradução. Baseado nessas idéias, a passagem de um sistema verbal para um não-verbal se constitui como um processo tradutório, em que trabalhamos com dois signos: o signo traduzido, que é a obra literária em si, e o signo tradutor, que é a tradução para a mídia, quer seja em forma de novela, de documentário, videogames, quadrinhos, cinema, ou outros.

  Deve-se levar em conta que essas traduções ou adaptações são feitas a partir de obras nem sempre originadas de uma mesma cultura ou época, o que traz a necessidade de se pensar, além das estratégias usadas para a adaptação de um sistema semiótico a outro, a questão da tradução de signos culturais, que precisam ser reconhecidos pelos espectadores da cultura de chegada dessa tradução, já que, como qualquer ato de interpretação, o ato tradutório está inserido no presente e, portanto, traz consigo toda a influência do momento.

  A tradução já traz inscrita, em si, a diferença de olhares, e a tradução intersemiótica, mais especificamente, aqui, a adaptação da literatura para o cinema, enfatiza essa diferença por propor estratégias de representação que são traçadas por meios semióticos diversos e que, portanto, geram processos que são fruto da articulação de diferentes interpretações. Como explica Xavier (2003, p.62), com relação à adaptação da literatura ara o cinema, “...livro e filme estão distanciados no tempo; escritor e cineasta não têm exatamente a mesma sensibilidade e perspectiva, sendo, portanto, de esperar, que a adaptação dialogue não só com o texto de origem, mas com seu próprio contexto, inclusive atualizando a pauta do livro”.

  Avellar (2007, p.13) explica o diálogo literatura e cinema e as diferenças de olhares estabelecidas em ambos os processos e afirma que, “estabelecer como base deste diálogo espontâneo a fidelidade de tradução, reduzir a palavra e a imagem a diferentes modos de ilustrar algo pensado ou sentido fora delas, elimina o conflito entre estes diferentes modos de ver o mundo, conflito natural e que estimula a literatura e o cinema a criar novas formas de composição”.

  Neste projeto, abordamos a tradução intersemiótica da literatura para o cinema ou adaptação a fim de entender como o cinema tem ressignificado as obras literárias e em quais perspectivas, como por exemplo, se leva em conta aspectos culturais, de público etc. e quais as estratégias e recursos utilizados no processo.

  Visto a complexidade que envolve a tradução intersemiótica entre uma obra literária e a mídia, não é possível uma sistematização dos signos usados, no instante em que os sistemas se sobrepõem e se misturam, apesar de serem diferentes. Os diversos sistemas de signos enumerados nunca são percebidos isoladamente. Diniz (2003: 66) entende que eles: “Fazem parte de um todo orgânico em que os sistemas interagem, reforçam uns aos outros, criam novos sentidos a partir de sua tensão interior. O significado integral de uma representação literária provém do impacto total dessas estruturas complexas de significados inter-relacionados. Assim, juntos, todos os signos mostrados têm seu papel para o conjunto dos significados de um único momento.


3. Justificativa


  A adaptação de obras literárias possui críticos que se posicionam tanto a seu favor, como contra essa prática. A esse respeito comenta Bazin (apud BRITO, 1996:20) que a adaptação tornou-se uma forma de difundir a literatura para o público que não acessa a obra dos grandes escritores. Esse argumento também é, de certa forma, mencionado por Lefevere (1992:4-6) que comenta: “leitores não-profissionais cada vez menos lêem literatura escrita por seus escritores, mas sim re-escritas por seus re-escritores” . Essa idéia de re-escritura (rewriting) atinge em cheio o conceito de tradução, afinal, ela trataria a tradução como uma re-escritura: Quando leitores não-profissionais de literatura (...) dizem que ‘leram’ um livro, o que eles querem dizer é que eles têm uma certa imagem, um construto do livro em suas cabeças. Esse construto é com freqüência vagamente baseado em alguma passagem específica do texto atual do livro em questão (....), suplementada por outros textos que de uma forma ou de outra re-escrevem o texto atual, como resumos de enredos literários em trabalhos de referência, resenhas em jornais, revistas ou periódicos, artigos críticos, apresentações no palco ou na tela, e finalmente, mas não menos importante, traduções.

  Vê-se que, apesar do autor não utilizar o termo “tradução intersemiótica”, engloba esse tipo de tradução ao referir-se à montagem teatral ou adaptação para o cinema. Os críticos das traduções audiovisuais, no intuito de esvaziar sua importância, costumam recorrer ao argumento da infidelidade dos produtos em relação às obras literárias em que se baseiam. Contudo, este não é um bom argumento. Para os estudiosos da tradução intersemiótica, a absoluta literalidade em relação à obra literária, além de indesejável, é impossível (BRITO, 1996:20). Afinal, uma obra literária e a mídia em geral fazem uso de diferentes sistemas semióticos e, por conseguinte, constituem veículos de informação diferentes. A esse respeito já se manifestou Plaza (2001:30), “numa tradução intersemiótica, os signos empregados têm tendência de formar novos objetos imediatos, novos sentidos e novas estruturas que, pela sua própria característica diferencial, tendem a se desvincular do original”. Assim, não é somente desejável, mas natural que ocorram modificações em uma tradução intersemiótica.

  O que de fato ocorre na adaptação é a necessidade de ajustar as linguagens. Por vezes, é preciso eliminar ou resumir    alguns elementos da obra literária devido à extensão da adaptação, ou para destacar aspectos que o diretor considera mais importantes. Pode-se excluir ou resumir elementos como: personagens (muitas vezes apela-se até mesmo para a fusão de personagens), descrições detalhadas de ambientes e paisagens (substituídas pelas próprias imagens), diálogos (a linguagem corporal dos atores muitas vezes pode substituir falas), reflexões excessivamente abstratas e ações.

  A análise de traduções intersemióticas mostra que o posicionamento do tradutor diante de determinadas partes do texto difere de outras escolhas feitas pelo mesmo tradutor. Em certos momentos, ele pode optar por se aproximar mais do texto de partida, em outros, prefere, com as inúmeras técnicas audiovisuais de que dispõe, se afastar, reduzindo ou ampliando as idéias da obra literária. Como explica Robert Stam (2000), a adaptação seria formada de uma rede de referências intertextuais e transformações, onde textos originariam outros textos em um processo sem fim de reciclagem, transformação e transmutação. Para ele, ainda, o texto fonte, na adaptação, poderia sofrer uma série de operações, como seleção dos aspectos escolhidos para fazerem parte da adaptação; amplificação, ou seja, dar mais ênfase a determinadas características da narrativa em detrimento de outras; atualização para outra época; crítica; subversão; popularização e reculturalização.

  É exatamente nessa adequação de linguagens que nossa pesquisa pretende contribuir. Pretendemos investigar como as traduções para a mídia estão sendo feitas, que elementos próprios dos sistemas audiovisuais foram utilizados nas adaptações e em que as modificações acrescentam na significação (ressignificação) da obra.

  Este projeto se justifica à medida que se insere no contexto da área da lingüística aplicada, mais especificamente a pesquisa em tradução e propõe discussões atualizadas em um campo de pesquisa que vem suscitando interesse cada vez maior entre pesquisadores tanto no Brasil como no exterior.

  Além disso, pretende contribuir para a reflexão e prática da tradução como diferença, contemplando as diferentes culturas e tentando entender o que se qualifica como “cultura de chegada” da tradução em um mundo globalizado, em que produções audiovisuais as mais diversas atingem espectadores de diferentes regiões do planeta. Para Seligmann-Silva (2005, p.213), o mundo atual globalizado depende da tradução que assuma uma prática dialógica, de respeito às diferenças culturais, ao outro, e explica: “A tradução no seu modelo radicalmente dialógico alimenta não mais o agon entre as nações, mas sim a convivência entre as línguas/culturas. A sua filosofia pode nos ajudar a enfrentar o desafio da nossa era da globalização e de fundamentalismos.”

  Pretende-se, assim, buscar novos rumos para o estudo da tradução, mais especificamente no que diz respeito à tradução para o cinema e tentar propor novas abordagens metodológicas para o estudo dessa área.


4. Questionamentos


  Com nossa pesquisa, tencionamos responder às seguintes questões:

• Como traduzir para outro sistema semiótico as características da narrativa verbal?

• Que elementos próprios da linguagem audiovisual foram usados na adaptação?

• Em que as modificações acrescentam na significação (ressignificação) da obra?

• Seria possível identificar um conjunto de normas ou estratégias para as adaptações midiáticas atuais?

• Seria possível identificar os aspectos culturais da cultura de chegada nas adaptações?


5. Objetivos


5.1 Objetivo geral:

• Analisar as estratégias utilizadas nas adaptações da literatura para o cinema no contexto  da atualidade a fim de contribuir com os estudos de tradução audiovisual, bem como com a crítica cinematográfica especializada.


5.2 Objetivos específicos:

• Com base na bibliografia estudada, discutir as novas concepções e alcance da tradução para o cinema brasileiro na atualidade;

• Investigar em que medida as estratégias utilizadas nas adaptações estudadas causam a ressignificação das obras;

• Observar a influência do contexto histórico-cultural para o qual as obras foram adaptadas;

• Verificar a posição da crítica atual brasileira em relação às adaptações para a mídia.


6. Metodologia


6.1 Natureza da pesquisa:

  A pesquisa será desenvolvida no intuito de analisar a adaptação de obras literárias para o cinema. Ela é, portanto, uma pesquisa de natureza analítico-descritiva.


6.2 Contexto da pesquisa:

  Partindo do pressuposto de que a tradução cinematográfica de uma obra escrita produz signos que traduzem os signos literários acrescentando outras marcas, presentes ou não na obra escrita, a presente pesquisa não levará em conta aspectos relacionados à equivalência ou fidelidade, comumente associados aos estudos tradicionais de tradução. Para fundamentar a postura adotada nesta pesquisa, foram adotadas algumas linhas teóricas. A concepção de adaptação como sinônimo de tradução se fundamenta nos estudos de tradução intersemiótica de Jakobson (1991) e Plaza (2001). A discussão da proposta de análise da tradução dentro do contexto em que ela está inserida, levando em consideração a cultura de chegada será baseada nos Estudos Descritivos de Tradução, cujos teóricos são Lefevere (1992), com o conceito de reescritura; Toury (1995), que tem como ponto de partida a teoria dos polissistemas, elaborada por Even–Zohar (1978) e para quem toda tradução também faz parte da cultura de chegada; e Cattrysse (1992 & 1997), com a idéia de que a adaptação não deve ser subordinada ao texto tido como original.

  Com o intuito de analisar os aspectos audiovisuais presentes nas peças midiáticas, evitando a restrição à análise verbal do livro, serão utilizados conceitos da semiótica de Peirce (1975 & 1999), também através das abordagens de Deely (1990), Perez (2004), Santaella (1985, 2002 & 2005) e Nöth (1998). As questões sobre a representação midiática se fundamentarão em teóricos que discutem a imagem e os aspectos que envolvem as representações midiáticas, tais como Joly (1994), Machado (1988),  Vanoye (1994), Martin (2002) e Aumont (1995 a, b & 2004), e em críticos que abordam a questão da adaptação de obras para o cinema, como Bazin (1991), Diniz (1998 & 2003) e Stam (2005 a e b).

  Para discutir questões relativas à influência cultural nas traduções, serão discutidos teóricos da atualidade que ersam sobre identidade e globalização, tais como Lévy (2001), Bauman (2005), Bhabha(2005) e Hall (2003).


6.3 Procedimentos:

  Inicialmente, faremos uma revisão bibliográfica. A partir dos encontros e discussões dos envolvidos em grupo de estudos – formado por alunos bolsistas e voluntários, mas também por alunos do curso de Letras e interessados de outros cursos de graduação e pós-graduação da UnB, serão ressaltados os teóricos que mais poderão contribuir para o embasamento das observações e análises das obras e das adaptações.

  Para analisar os mecanismos utilizados pelos produtores de filmes para traduzir aspectos ligados às obras literárias, já foram selecionados 8 filmes de diretores brasileiros adaptados da literatura brasileira. São eles:

O contador de histórias (2009), de Luiz Vilaça. Baseado na obra homônima, infanto-juvenil, de Roberto Carlos Ramos.

Budapeste (2009), de Walter Carvalho. Baseado na obra homônima de Chico Buarque.

Onde andará Dulce Veiga? (2008), de Guilherme de Almeida Prado. Baseado na obra homônima de Caio Fernando Abreu.

Mutum (2007), de Sandra Kogut. Baseado na obra Campo Geral, de Guimarães Rosa.

Estômago (2007), de Marcos Jorge. Baseado na obra Presos pelo estômago, de Lusa Silvestre.

Zuzu Angel (2006), de Sérgio Rezende. Baseado na obra Eu, Zuzu Angel, procuro meu filho, de Virginia Valli.

A Máquina (2006), de João Falcão. Baseado na obra homônima de Adriana Falcão.

Quanto vale ou é por quilo? (2005), de Sérgio Bianchi. Baseado no conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis.


  Após o estudo bibliográfico, será feito fichamento detalhado das obras escritas, isto é, a descrição e catalogação individual das obras, por blocos narrativos ou unidades temáticas.

  Será feita também a decupagem (descrição detalhada da seqüência de plano, da movimentação de câmera, do som, da iluminação, cores, desenhos, etc.) da tradução audiovisual. A partir daí, podemos proceder à análise da tradução das obras. Identificaremos as estratégias utilizadas, as semelhanças e modificações entre as obras e os recursos audiovisuais empregados.

  A Semiótica peirceana foi escolhida como instrumental teórico para aplicação na análise, principalmente por levar em consideração cada sistema de signos na sua especificidade, evitando se submeter à linguagem verbal.

  É importante lembrar, porém, que não será objetivo desta pesquisa, nem tampouco é o objetivo da semiótica, utilizar as classificações dos signos e das traduções como objetivo último de nosso trabalho. A classificação não é o objetivo final, mas o meio através do qual poderemos construir e formular interpretações. Dessa forma, cabe ao intérprete identificar, analisar e construir os significados possíveis tanto a partir dos textos e suas capacidades de representação por meio de seus elementos visuais e verbais, como pela inserção destes significados em seu contexto histórico e cultural.

  Será feito, também, levantamento sobre a crítica especializada brasileira a fim de verificar sua opinião sobre o as adaptações pertencentes ao nosso corpus. Pretende-se, com isso, propor trabalho inédito na área dos Estudos da Tradução, pois essa pesquisa de recepção trará subsídios para o entendimento de como as traduções intersemióticas são avaliadas: se com base no conceito de fidelidade ao texto literário de partida ou se observas as ressignificações e implicações dessas traduções ao contexto histórico-social para o qual foram traduzidas. Tal levantamento será feito em revistas que trazem colunas sobre cinema, tais como Veja, Isto É, Época, etc., bem como em sites e blogs especializados.


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