Resumos do II Sem. de Estudos Sociogeoli. / VIII Fórum de Estudos Japoneses

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II SEMINÁRIO DE ESTUDOS SOCIOGEOLINGUÍSTICOS

 

1 Sandro de Carvalho Teles
A MÚSICA BRASILEIRA COMO INSTRUMENTO PARA A AMPLIAÇÃO LEXICAL
A presente comunicação tem como objetivo apresentar o projeto “A música brasileira como instrumento para a ampliação lexical de estudantes do 8.º ano do Ensino Fundamental: uma proposta didática de CD interativo”. Tal projeto visa a utilizar letras de canções de músicas brasileiras de diversos estilos para uma proposta de intervenção que resultará no desenvolvimento de um protótipo de CD interativo. Para tanto, o estudo se fundamentará teoricamente nas abordagens: de léxico e lexicologia trazidas por Barbosa (1978, 1981, 1989), Biderman (2001), Dias (2004) e Pauliukonis (2007); e, de aspecto multissemiótico presente nesse tipo de produto, nos ideais de Rojo e Moura (2012). Ainda, por trabalhar a música como recurso para o estudo em questão, trar-se-á à baila um breve histórico da formação da música brasileira, perpassando pelos diversos estilos, desde o rock, o pop, rap até o samba, a bossa nova, a MPB, entre outros, e sua aplicação no ensino, tendo como referencial Gil (2005), Dias (2004) e Rocha (2009). A abrangência da temática é de forma tal que, no que se refere ao ensino de Língua Portuguesa, pautar-se-á nos preceitos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) quanto ao ensino/aprendizagem lexical e vinculando-se a uma reflexão sobre a variação semântico-lexical marcante de nossa língua. O que se pretende com este projeto, entre outros objetivos, é demonstrar que a música pode ser usada em sala de aula de forma mais proveitosa e prazerosa, indo além de pretexto para o estudo de gramática ou de figuras de linguagem. Os itens lexicais presentes em letras das canções, muitas vezes, são ininteligíveis aos estudantes que, geralmente, que chegam à segunda etapa do Ensino Fundamental ainda com um repertório lexical que tem muito a ser ampliado.
Palavras-chave: Lexicologia. Ensino/aprendizagem. Ensino Fundamental. Música brasileira. CD interativo.

 

2 Maria de Fátima de Mello
RESGATE DA RÁDIO ESCOLAR: UMA PROPOSTA DIDÁTICA COM NOTÍCIA E ENTRVISTA
De acordo com nossa prática escolar e depois de entrar em contato com pressupostos teóricos sobre oralidade e letramento durante o curso de Mestrado Profissional em Letras, percebemos que as práticas de oralidade representam uma ferramenta eficaz para desenvolver a competência comunicativa dos alunos, habilidade importante para o exercício pleno da cidadania. Tendo em vista que ler e escrever envolve o fazer, a promoção de diálogos com ideias, concepções e informações em diversas esferas (Antunes, 2003), o processo ensino-aprendizagem ganha novos significados na prática pedagógica quando conta com a elaboração de projetos educacionais que conjuguem teoria e prática. Assim, trabalhar a oralidade na sala de aula é um desafio que se apresenta para os professores de Língua Portuguesa. Os PCNs recomendam o ensino da língua oral e alertam que, o aluno em idade escolar possui competência discursiva e linguística para o uso cotidiano, mas reconhecem que essas interações não são suficientes para dar conta dos usos linguísticos que as situações sociais demandam nesse campo. Por meio de uma pesquisa-ação, elaboramos uma proposta didática buscando o trabalho com a oralidade com ênfase na produção e gravação da leitura de notícias para a rádio escolar. Nosso contexto de pesquisa é uma turma do sétimo ano do ensino Fundamental de uma escola municipal em Valparaíso de Goiás. Durante a aplicação da proposta, constatamos que uma programação para a rádio escolar assegura o trabalho com atividades voltadas para a modalidade oral da língua contemplando o que é defendido por estudiosos como Marcuschi (2001) Crescitelli e Reis (2011) Fávero(2011) entre outros, de que as duas modalidades devem ser estudadas paralelamente.
Palavras-chave: Práticas de oralidade; cidadania; rádio escolar

 

3 Neubiana Silva Veloso Beilke
O CONTATO POMERANO-PORTUGUÊS NO LESTE MINEIRO E AS VARIAÇÕES: UMA ABORDAGEM SOCIOGEOLINGUÍSTICA
Este trabalho é um recorte da nossa pesquisa de mestrado que estudou a variedade brasileira do pomerano. Compilamos corpora do pomerano e estabelecemos uma relação com os estudos geolinguísticos ao utilizar seu método para a coleta de corpus oral. A Geolinguística permite o diagnóstico das variações linguísticas em uma dada comunidade. Nossos objetivos são: i) descrever alguns fenômenos de variações linguísticas decorrentes do contato pomerano-português, distribuídas no espaço geográfico do leste de Minas Gerais; ii) expor dificuldades encontradas no ensino de português para crianças pomeranas, listando exemplos de interferências pomerano-português; e iii) propor sugestões para um ensino de português que aborde as variações da região em questão. Embora, no Brasil, a língua portuguesa seja a oficial, para algumas crianças pomeranas, o português é a segunda língua e o pomerano é a língua materna. Algumas dessas crianças, no contexto escolar, apresentam dificuldades na aprendizagem do português. Isso ocorre porque, em casa, fala-se pomerano e, ao entrarem na escola, essas crianças enfrentam um contexto monolíngue. Apresentaremos algumas variações dialetais obtidas por meio da aplicação do Questionário Semântico-Lexical (QSL). As respostas foram comparadas com os dados encontrados em atlas e levantamentos linguísticos de Minas Gerais (RIBEIRO, 1977; RÚBIO, 2010; MARTINS, 2006; CASTRO, 2006). Nossos referenciais são Benincá (2008), Rodrigues (2010), Schaeffer (2012), Cristianini (2012), Takano (2013), Romano e Seabra (2014), Amaral (2014) e Santos (2014). Nosso trabalho baseia-se em pesquisas bibliográficas sobre comunidades pomeranas, no contato com pomeranos, no trabalho de campo, na realização de entrevistas e em visitas a algumas escolas que atendem a crianças pomeranas. Concluímos que a abordagem-metodologia da Sociogeolinguística (CRISTIANINI, 2012) pode contribuir para o conhecimento e enfrentamento dos desafios relacionados ao ensino-aprendizagem de línguas (maternas e estrangeiras), inclusive no que se refere ao conteúdo de português trabalhado com as crianças pomeranas.
Palavras-chaves: Pomerano. Sociogeolinguística. Variações Linguísticas.

 

 

4 Clézio Roberto Gonçalves
UMA PEDAGOGIA DA VARIAÇÃO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
É sempre um desafio muito grande para o professor de língua portuguesa, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, refletir com os alunos sobre sua língua materna, considerando-se que os alunos já chegam à escola com capacidade de usar com razoável competência comunicativa o português, que é a língua materna da grande maioria dos brasileiros. Sabe-se que é de importância crucial que os alunos façam uma reflexão sobre a língua que usam quando começam a conviver com a modalidade escrita da língua. Para isso, os professores precisam ter consciência do dever de desenvolver a competência dos alunos e ampliar-lhes o número e a natureza das tarefas comunicativas que já são capazes de realizar na língua oral e, depois, também, na língua escrita. Neste estudo é apresentada e discutida a concepção dos professores de língua materna sobre “linguagem, ensino, gramática e variação”. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas com professores do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio das redes particular e pública da cidade de Mariana (MG) que possibilitam construir reflexões relativas ao impacto da teoria trabalhada nos cursos de formação inicial e/ou continuada de professores e da prática na sala de aula. Constatou-se, preliminarmente, com esta pesquisa que, embora, os professores de Língua Portuguesa (ex-alunos dos cursos de Licenciatura em Letras) tenham tido contato com questões na área da Sociolinguística, no período de formação, o desenvolvimento das investigações e a teoria na área da Linguística estão muito aquém de apresentar efeitos na prática cotidiana da sala de aula para promover uma educação linguística satisfatória dos alunos.
Palavras-chave: Sociolinguística Educacional, Pedagogia da Variação, Ensino

 

5 Sabine Gorovitz
CONTATOS E MISTURA DE LÍNGUAS: O EXEMPLO DOS BRASILEIROS NA GUIANA
Contatos e mistura de línguas: O exemplo dos brasileiros na Guiana Apresentamos aqui o resultado de uma pesquisa desenvolvida durante três anos, de 2008 a 2011, na Guiana Francesa em torno da questão da integração linguística dos brasileiros que vivem em Caiena. Essa observação se concentrou em algumas famílias que se estabeleceram na cidade há mais ou menos tempo e no modo como seus membros falam as diferentes línguas que integram seu repertório, ou seja, o francês, o português e o crioulo. Esse recorte se inscreve entretanto em uma abordagem mais ampla conduzida em parceria com outras equipes de pesquisa que buscou apreender as dinâmicas migratórias entre o Brasil e a Guiana Francesa, mobilidades estas marcadas por uma forte diversidade de contatos de línguas e de população. Para apreender o fenômeno das línguas em contato na região, observamos os discursos ordinários produzidos pelos falantes em suas interações familiares, e o tipo de falar bilíngue que eles produzem de acordo com os desafios da interação, mas também com seu perfil sociolinguístico. Assim, esse tipo de observação permitiu por um lado compreender como os falantes falam entre si e quais tipos de misturas linguísticas eles produzem e por outro quais são as categorias pertinentes para apreender o fenômeno em sua complexidade.
Palavras-chave: sociolinguística; contatos de línguas; bilinguismo; imigração.

 

6 Selma Sueli Santos Guimarães
ESCOLHAS LEXICAIS E O ENSINO DE LÍNGUAS: ANSEIOS E POSSIBILIDADES
Levar os alunos à compreensão da língua como um fenômeno heterogêneo, sujeito à variação e à mudança é tarefa importante do professor de língua materna. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo apresentar possíveis aplicações das pesquisas sobre a variação lexical em aulas de Língua Portuguesa. No Brasil, falamos apenas uma língua, apesar disso, verifica-se, em todo o país, uma grande diversidade no emprego de palavras, isto é, na escolha lexical feita pelo sujeito para nomear a realidade à sua volta. Portanto, estudos voltados para essa diversidade linguística brasileira se tornam necessários e produtivos e é possível dizer que o estudo das variações linguísticas pode contribuir para o ensino-aprendizagem do Português. Investigar uma língua e suas variações implica investigar também a cultura, visto que as características culturais de uma sociedade são, normalmente, armazenadas e acumuladas por meio do sistema linguístico, sobretudo por meio do léxico. Partindo desse pressuposto, toma-se como referência as diferentes escolhas lexicais presentes nas respostas dos sujeitos a uma questão do Questionário Semântico-Lexical, utilizado no Atlas Linguístico do Paraná, qual seja, “Em noite bem estrelada, como se chama aquele espaço cheio de estrelas, até esbranquiçado, que fica bem no meio do céu?”. O enfoque teórico que sustenta este estudo conjuga contribuições advindas da Geolinguística, da Dialetologia e da Análise do Discurso de linha francesa, que considera o homem na sua história, observando as condições de produção da linguagem por meio da relação entre a língua e os sujeitos que a falam e também as situações em que se produz o dizer. Objetiva-se também oferecer dados relativos ao aspecto semântico-lexical que possam aprofundar o conhecimento da realidade linguística do Português e, dessa maneira, contribuir com os professores de Língua Portuguesa no que se refere à variação linguística.
Palavras-chave: Escolhas lexicais; Língua Portuguesa; Ensino-aprendizagem.

 

7 Edna Nicolina Silva (LPDL/UFU);

Silda Abadia de Lucena (LPDL/UFU);

Simone Nogueira de Arruda (LPDL/UFU);

Valdirene Lemes Fonseca Resende (LPDL/UFU)

PINGA. SUA HISTÓRIA E VARIAÇÕES PELO BRASIL E UBERL NDIA.
Compreender a variação linguística por meio de pesquisas relacionadas ao léxico de uma comunidade é bastante complexo, mas bastante enriquecedor. O estudo sobre o item lexical “pinga” e suas variantes mostra-nos a importância que a variação da língua exerce sobre a linguagem de uma sociedade e sobre o desenvolvimento histórico e cultural de um povo. A pinga não é apenas uma bebida popular, ela é também cultura brasileira. Cultura esta que pode ser evidenciada pelas inúmeras variedades lexicais existentes dentro de nossa sociedade. Esse fenômeno contribui para entendermos não só o comportamento da população, mas também a maneira de ver o mundo e de ver a si mesmo que o sujeito possui. Embasados em pesquisas institucionais, como da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e da IBRAC – Instituto Brasileiro da Cachaça, entre outros, e teóricas como Cristianini (2008), desenvolvemos uma pesquisa objetivando determinar a norma lexical uberlandense para o conceito de “bebida alcoólica feita de cana de açúcar”. Na pesquisa de campo e na análise dos resultados, pautamo-nos nos preceitos da Geolinguística contemporânea e nos resultados obtidos por meio de atividades direcionadas ao ensino-aprendizagem de conteúdos relacionados à disciplina Sociolinguística. Para esta comunicação, elencamos os seguintes objetivos: (i) apontar as variações do item lexical pinga no município de Uberlândia; (ii) apresentar qual a norma para esse conceito em Uberlândia; (iii) refletir sobre como o léxico pode influenciar tanto na linguagem quanto no comportamento humano em uma comunidade; (iv) demonstrar como uma pesquisa lexical relacionada à variação linguística pode trazer conhecimento sobre o contexto histórico, cultural e social, além de linguístico de uma dada comunidade.
Palavras-chave: Sociolinguística ,Variação Linguística,Léxico. Pinga.

 

8 Ana Suelly Arruda Câmara Cabral
INDÍGENAS NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA: INCLUSÃO COM BILINGUISMO EM PERSPECTIVA?
Indígenas na Universidade de Brasília: inclusão com bilinguismo em perspectiva? Esta comunicação trata da língua Portuguesa e as populações indígenas. O Brasil é um país em que sobreviveram ao processo colonizatório, aproximadamente 200 línguas, das 1200 projetadas por Rodrigues (1993) para o início da presença europeia. É fato reconhecido que os povos indígenas e suas respectivas línguas e culturas não foram, em nenhum momento da história, valorizados. Quanto ao Português que falam, salvo aqueles que cresceram em forte contato com os não-índios tiveram a oportunidade de aprendê-lo como segunda (terceira ou quarta, no caso de indígenas falantes de mais de uma língua indígena) ou como primeira língua. Mas o acesso ao ensino do Português voltado para os indígenas, nunca foi devidamente pensado, refletido e nunca foi objeto de políticas e planejamentos linguísticos com continuidade. Nesta fala, mostro especificamente os problemas enfrentados por indígenas alunos da Universidade de Brasília, no uso do português, tanto na fala quanto na escrita. A comunicação é provocativa e acentua a importância de os envolvidos discutirem e contribuírem para mudar essa realidade, promovendo também um bilinguismo coerente com a aquisição e troca de saberes inerentes a situações de bilinguismo mais equilibradas.
Palavras-chave: Alunos indígenas na UnB, Ensino do Português, Bilinguismo

 

9 Vilmar Lourenço de Melo
O USO DAS PALAVRAS CRUZADAS COMO ELEMENTO FACILITADOR PARA AMPLIAÇÃO DO LÉXICO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO DF.
A educação vem desde há muito tempo sofrendo alterações consideráveis no que se refere a suas práticas. As novas possibilidades que se apresentam surgem na tentativa de vincular as atuais formas de se ensinar com o desejo cada vez mais evidente de se aprender com prazer e satisfação. Este trabalho busca esse caminho, propondo uma possibilidade de se atingir os objetivos sem se prender a metodologias clássicas e paradigmáticas; para tanto se concentra no uso das palavras cruzadas como elemento norteador não só para o maior conhecimento lexical, como também para melhor percepção das variações linguísticas e suas inúmeras possibilidades de uso nas mais variadas situações. Aproveitando o conhecimento prévio do aluno, parte de modelos construídos através de pressupostos teóricos fundamentados em autores defensores dessas práticas, sem deixar de lado a simplicidade do ensino e do papel do professor como elemento indispensável na mediação da aquisição do conhecimento.
Palavras-chave: léxico, variação linguística, palavras cruzadas, ensino, aprendizagem.

 

10 Edineia Aparecida Isidoro
DIVERSIDADE SOCIOLINGUÍSTICA DO ESTADO DE RONDÔNIA E O PAPEL DA ESCOLA INDÍGENA DA TERRA INDÍGENA RIO BRANCO
No Estado de Rondônia há pelo menos 38 etnias que falam mais de 26 línguas diferentes, neste contexto de diversidade, muitos povos perderam suas Terras tradicionais, não falam mais suas línguas étnicas, ou estão em processo de perda linguística e cultural importante. Este trabalho tem por objetivo apresentar um painel da diversidade sociolinguística do Estado de Rondônia e de forma mais especifica a da Terra Indígena Rio Branco a partir de pesquisas sociolinguísticas dos próprios professores Indígenas. Vamos apresentar, também, o importante papel que escola vem adquirindo a fim de mediar estratégias de fortalecimento cultural e línguístico, no sentido de contribuir para a preservação e fortalecimento das línguas e culturas dos povos que vivem nesta Terra Indígena. Para realizar esta discussão pautaremos em estudos realizados por Pat Waré Tupari (2015), Isaias Tupari (2015), Fonseca (2008), Isidoro; Amorim e Borges (2016), Kaspar (1953), entre outros.
Palavras-chave: Diversidade, Línguas Indígenas , Escola. indigena

 

11 Vera Lucia Dias dos Santos Augusto
CONTRIBUIÇÕES DOS ESTUDOS SOCIOGEOLINGUÍSTICOS PARA DOCENTES: DO ENSINO À PESQUISA DE LÍNGUA PORTUGUESA
Diferentes formas de abordar os processos de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa despontaram no Brasil nos últimos vinte anos. A nova Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, principalmente depois do surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) permitiu a discussão e reflexão sobre o ensino-aprendizagem da língua materna no Brasil. A procura de bases teórico-metodológicas que permitam contemplar a complexidade dos fatores linguísticos, sociais, políticos e éticos tem sido uma constante preocupação de pesquisadores da área da Linguística. Para além dessa procura, é muito grande o interesse em estudar as variações linguísticas regionais, analisando-as a partir de um viés sociogeolinguístico. Uma ideia primeira é valorizar os estudos da heterogeneidade linguística, que acontece na dimensão diatópica (espacial, geográfica) e está distribuída no espaço territorial de uma nação ou região. Sob esse aspecto, é possível refletir sobre a atuação de ensino-aprendizagem dos professores de línguas. Sobre esse ensino de línguas, Mattos e Silva (2004) observam que o professor, como peça essencial nesse processo de ensino, terá de ser necessariamente muito bem preparado tanto na formação linguística como na sua formação pedagógica geral, para que em sua prática escolar procure criar e adequar seus instrumentos pedagógicos e sua metodologia de ensino. Desse modo, educadores conscientes da variação linguística podem trabalhar a partir dessa realidade diversificada, sem estigmatizar a variação dialetal de seus alunos. Assim, a presente comunicação tem como objetivo promover o ensino-aprendizagem a partir dos estudos sociogeolinguísticos ao ensino e a pesquisa de línguas.
Palavras-chave: Variação linguística. Sociogeolinguística. Ensino e pesquisa.

 

12 Yuko Takano
ATLAS LINGUÍSTICO DO FALAR DOS NIPO-BRASILEIROS: UMA PROPOSTA DE ESTUDO SEM NTICO-LEXICAL
Este trabalho tem como objetivo discutir as questões referentes aos estudos de Sociogeolinguística sob perspectiva do Bilinguismo. Utiliza-se como fonte da pesquisa a fala dos nipo-brasileiros do Distrito Federal, cujo falar, revela o uso de dois códigos: a língua portuguesa e a língua japonesa as quais se mesclam, tornando-as em um só código. Esse fenômeno linguístico, a ‘variedade nipo-brasileira’, ocorre em cinco rede de pontos analisados das comunidades nipo-brasileiras de Brasília: Brasília; Brazlândia; Núcleo Bandeirante; Taguatinga e Vargem Bonita, das quais Brazlândia e Vargem Bonita são regiões consideradas rurais. Os sujeitos da pesquisa são nipo-brasileiros bilíngues que pertencem a segunda geração (nissei), sendo todos do sexo feminino. Neste trabalho, far-se-á um recorte nas respostas que apresentam a interferência, privilegiando o mecanismo do empréstimo lexical e da mudança de código. Para a análise utiliza-se dos cartogramas linguísticos do “Esboço do Atlas linguístico do falar dos nipo-brasileiros do Distrito Federal”, cujo corpus, foi descrito, analisado e elaborado para a pesquisa de doutorado. No trabalho buscou-se a fundamentação teórica da sociolinguística e da geolinguística/dialetologia com intuito de contemplar o movimento natural de uma língua, cujo produto, revela o falar balizado pelo tempo, pelo espaço e pelo contexto. Recorre-se, dentre outros teóricos: Alvar (1969); Grosjean (1982); Chambers e Trudgill (1984 Gal (1989).); Gumperz (1998); e Thomason e Kaufman (1991).
Palavras-chave: Geolinguística. Sociolinguística. Semântico Lexical. Bilinguismo.

 

13 Rita de Cássia da Silva Soares
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, DISCURSO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: CONTRIBUIÇÕES DO LÉXICO
Esse trabalho apresentará os itens lexicais, fruto das respostas dadas à questão número 136 do Questionário Semântico-Lexical do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (QSL-ALiB): “… a pessoa que fala demais?”. O propósito é mostrar, na verdade exemplificar, a variedade dos sujeitos da região da grande São Paulo. Os exemplos foram retirados do Atlas Semântico-Lexical da Região Norte do Alto Tietê (ReNAT) – São Paulo. O atlas apresenta os falares, isto é, realizações linguísticas de agrupamentos humanos que podem ser associados a uma realização semântico-lexical própria da região, definida com a escolha de um item lexical. A linguagem reflete e refrata as escolhas de um sujeito que, por sua vez, está situado numa história, num espaço social, numa cultura, esse sujeito é influenciado por outros discursos e expressa suas preferências, escolhas, opiniões, crenças, valores, ideologias sobre um determinado assunto ou objeto. E, também, recorre a uma memória discursiva, que faz parte do interdiscurso. Acredita-se que cada comunidade comporta características e especificidades linguísticas, denotando a identidade histórica e cultural dos sujeitos que se desenvolve, sobretudo nos momentos de interação, dada essa característica, conhecer a variedade linguística e uma comunidade de fala poderá auxiliar no processo de ensino-aprendizagem de uma língua, pois se o ensino de Língua Portuguesa não for associado a esse contexto tende a se afastar da realidade linguística dos discentes, causando-lhes o desinteresse por aprender. Pesquisas de Irenilde P. Santos (2012), Adolfo Elizaincín (2002), J. P. Blom e J. J. Gumperz (2002), Teun A. Van Dijk (2012) fundamentam esse trabalho.
Palavras-chave: Variação; Interação; Ensino; Discurso.

 

VIII FÓRUM DE ESTUDOS JAPONESES NO CENTRO-OESTE

 

1 Michele Eduarda Brasil de Sá
ENSINAR LITERATURA JAPONESA NA UNIVERSIDADE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
A presente comunicação visa apresentar uma reflexão a respeito do ensino da literatura japonesa no contexto universitário. Conjuntamente serão abordadas questões relativas à tradução e ao ensino de tradução e os obstáculos que podem atrapalhar a leitura e o efetivo prazer estético obtido através da literatura.
Palavras-chave: Literatura japonesa. Ensino. Tradução.

 

2 Edson Teixeira do Nascimento
CRENÇAS DE PROFESSORES DE LÍNGUA JAPONESA (LE)
A pesquisa teve como objetivo identificar as crenças de três professores universitários que ensinam língua japonesa (LJ) em contexto de língua estrangeira para aprendizes brasileiros (JLE). Ela procurou investigar não apenas a influência dessas crenças nas suas ações em sala de aula, mas também analisar e interpretar possíveis relações entre as crenças dos professores participantes da pesquisa e as suas trajetórias diferenciadas de aquisição/aprendizagem da LJ. Participaram deste estudo uma professora que adquiriu a LJ como língua materna (LM), outra que adquiriu/aprendeu em contexto de língua de herança (LH) e, por fim, um professor que aprendeu como língua estrangeira (LE) (KRASHEN, 1981; McLAUGHLIN, 1978). Para a coleta dos dados desta pesquisa, foram utilizados (a) questionário escrito misto, (b) observações de sala de aula com notas de campo e gravações em áudio, (c) narrativas escritas (memorial), e (d) entrevistas semiestruturadas (VIEIRA-ABRAHÃO, 2006b). A fim de obter uma melhor contextualização e compreensão do objeto de estudo, a pesquisa foi realizada sob duas vertentes: uma perspectiva histórica do ensino da LJ no Brasil (TAKEUCHI, 2007; MORIWAKI, 2008, MORALES, 2006, 2008, 2009, 2011, entre outros) e outra sob as pesquisas de crenças em Linguística Aplicada (BARCELOS, 2000, 2001, 2003, 2004, 2006; CONCEIÇÃO, 2004; MUKAI, 2011; MUKAI; CONCEIÇÃO, 2012, entre outros). Os resultados demonstraram que o ambiente de trabalho foi capaz de promover momentos de ressignificação das crenças dos professores participantes. Neste estudo, foi ainda possível constatar que as suas crenças influenciam no modo como eles organizam e definem suas ações em sala de aula.
Palavras-chave: Ensino de JLE. Crenças de professores. Ações. Aquisição. Aprendizagem

 

3 George Moroni Teixeira Batista
ESTUDO SOBRE IMPLEMENTAÇÃO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DE LÍNGUA JAPONESA
Para professores, lidar com tecnologia da informação não é uma tarefa fácil, pois essa não é sua especialidade. Esse problema fica ainda mais aparente quando os professores precisam utilizar esse tipo de tecnologia para desenvolver materiais didáticos multimídia, ou interativos. Porém, boa parte dos alunos já chega a sala de aula familiarizados com esse tipo de tecnologia. O que gera uma certa necessidade da utilização da tecnologia de informação nas aulas, para fazer com que elas se adeguem melhor ao cotidiano dos alunos. Seguindo o Technological pedagogical content knowledge framework, a teoria das inteligências múltiplas, e a teoria da difusão de inovações, pode-se observar o quanto a implementação de projetos e-Learning pode ser complexa. A contínua chegada de novos alunos e novas tecnologias representa uma importante parte do ambiente educacional, que nos revela um ambiente em constante mudança. A grande questão é como ajudar a comunidade presente neste ambiente educacional a aplicar a tecnologia de forma eficiente, e continuar se adaptando às constantes mudanças. Em 2007 foi iniciado um projeto chamada ELO. Este projeto tinha como objetivo a implementação de tecnologias digitais, em forma de uma plataforma online de suporte ao curso de Licenciatura em Língua Japonesa na Universidade de Brasília. Observando o projeto ELO, assim como outros projetos de e-Learning pelo mundo, pode-se observar que a implementação de projetos com maior ênfase na participação da própria comunidade do ambiente de ensino, possuem uma maior tendência serem bem sucedidos.
Palavras-chaves: e-Learning, ensino-aprendizagem, língua estrangeira

 

4 Tales Rocha Silva
O PAPEL DA IMAGEM NO LIVRO DIDÁTICO: LEITURA E ANÁLISE DE MARUGOTO À LUZ DA GRAMÁTICA VISUAL
O trabalho prioriza verificar o papel que as imagens vêm a desempenhar em um livro didático de língua japonesa. O material analisado, Marugoto, é uma publicação da Fundação Japão de 2013 e condiz com a recente tipologia de livros didáticos, nos quais possuem uma alta carga visual, manifestadas por meio de cores, fotografias e ilustrações, que o caracteriza como material multimodal. Para concluir os objetivos traçados, buscamos ler e interpretar o conjunto de imagens de quatro lições de Marugoto, de acordo com Gramática Visual proposta pelos teóricos Kress e van Leeuwan (1996). Trata-se de uma abordagem mais precisamente voltada aos signos visuais e, a partir desses, surge a possibilidade um estudo da mensagem que eles vem a reproduzir. Com base na explanação teórica abordada, os dados foram reunidos e estudados por meio de análise documental sugeridas por Lüdke e André (1986) para pesquisas de natureza qualitativa. Dessa forma, pudemos constatar a relação entre os tipos de exercícios empregados e as imagens presentes em cada um deles. Por meio da frequência dos dados nessa relação, conseguimos assim determinar a proposta que as imagens dispõem para o aprendizado da língua japonesa. Com as informações expostas nesta análise, buscamos propor um modelo a ser utilizado por professores e alunos, de forma que percebam a imagem de forma mais crítica, bem como afirmem sua importância para o ensino de língua estrangeira.
Palavras-chave: Livro Didático. Língua Japonesa. Marugoto. Imagem e Ensino

 

5 João Paulo Santos Francisco
VIDEOGAMES E ENSINO DE JAPONÊS: APLICABILIDADE E POSSIBILIDADES DE USO PARA O DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE LEITURA
Baseando-se em vários trabalhos, dentre eles Gee (2007), DeHaan (2005), Krashen (1982) percebemos que videogames podem ser ferramentas muito úteis para o ensino de uma língua estrangeira. James Paul Gee, um dos pesquisadores da área de videogames e ensino, afirma em sua obra “What video games have to teach us about learning and literacy”(2007), que os videogames têm alto potencial de uso para o letramento e defende sua posição apresentando 36 princípios de aprendizagem embutidos nos videogames Corroborando posição de Gee, Dehaan (2005) testou o uso de um videogame de baseball com um estudante de japonês como L2 e baseado nos resultados encontrados, concluiu que o jogo foi benéfico para a compreensão auditiva e para a leitura de japonês. Pensando nisso, o presente trabalho procura, através de questionário, entrevista semi-estruturada e observações por parte do pesquisador, investigar as estratégias de leitura usadas por alunos de japonês ao trabalhar com um videogame totalmente nesse idioma. Além disso, investigamos as possibilidades de uso dessa ferramenta e se ela pode afetar a motivação dos estudantes. Nos resultados preliminares averiguamos que o uso de videogames no ensino de japonês tem efeitos positivos no aprendizado e motivação. Além disso de acordo com os alunos pesquisados essa ferramenta pode ser usada dentro e fora da sala de aula, com potencial para trabalhar várias habilidades linguísticas, em especial, a habilidade de leitura.
Palavras-chave: Videogames, ensino-aprendizagem de japonês, estratégias de leitura, multiletramento, multimodalidade

 

6 Kyoko Sekino;

Sueleni Vitória Rodrigues Takahashi;

Jéssica Ferreira Lins Ribeiro;

Ítalo Silva Bernardes;

LEGENDAGEM, ATIVIDADE DISCIPLINAR
O presente trabalho apresenta um processo de legendagem como uma atividade laboratorial realizada na disciplina obrigatória do curso de Letras – Japonês, Laboratório de Língua Japonesa da Universidade de Brasília no primeiro semestre de 2016. O objetivo da nossa apresentação é demonstrar os detalhes do processo da legendagem executado pelos alunos do curso, cujo nível de japonês não equivale ainda nem ao do tradutor, nem ao do especialista em legendagem. Diferente do experimento configurado por Hvelplund (2015), para os alunos de japonês, o processo da legendagem direta e concomitante assistindo um vídeo deve-se dividir em diversos passos, não apenas para eles conseguirem realizar a legendagem, mas também conscientizar-lhes os micros passos cognitivos ao compor uma legenda. Trata-se, então, de uma atividade de legendagem especificamente voltada aos alunos da aquisição de japonês. O processo consiste, em grosso modo, de transcrição, tradução e legendagem: a transcrição simples/sonora se caracteriza pelo funcionamento cognitivo diferente entre audição e escrita percebido pelos falantes de português. Assim, os alunos nesse passo apenas levantam o que ouvem em hiragana. A partir da transcrição sonora, segue o processo da atribuição dos kanji adequado para formar um significado, construindo um discurso compreensível. Em seguida, dois passos de tradução: tradução da qualidade de rascunho e a refinada. A partir da tradução refinada, realiza-se a legendagem, os trechos traduzidos a um trecho de fala no vídeo, utilizando um software online e gratuito. Identificamos diversas dificuldades na legendagem para que a legenda acompanhe a fala, ou seja, deparamos a necessidade de alterações em ordem das palavras em função da diferença sintática; SOV em japonês e SVO em português. Ademais, algumas falas dos personagens são consideravelmente rápidas que nos demandaram a alterar a tradução sem perder o significado. Desse modo, nossa apresentação demonstra um panorama do processo, ressaltando a necessidade das alterações criativas para que a tradução refinada e mínima se dá bem na legenda, acompanhando a fala com a visualização clara na tela.
Palavras-chave: Legendagem; tradução; alunos de Japonês; processo

 

7 Rafael Maury de Sousa e Silva
IDENTIDADE CULTURAL DE JOVENS JAPONESES: ESTUDO DE CASO COM INTERCAMBISTAS EM BRASÍLIA
Este trabalho busca fazer um estudo das características que os jovens japoneses, com experiência em curso ou já realizada de intercâmbio em Brasília, acreditam ser inerentes à identidade cultural do povo japonês. Teorias sobre identidade cultural e ideias propostas pelo assim chamado nihonjinron serviram de base teórica para desenvolver este tema. Sobre a identidade cultural, em particular, seguimos os trabalhos realizados por Stuart Hall e as ideias propostas por Sigmund Freud, para uma maior compreensão do processo psicológico do indivíduo na formação do Eu, e consequentemente, sua identidade pessoal. E como fundamentação teórica para definição das assim ditas características intrinsicamente japonesas, foram utilizadas as teorias do nihonjinron, sobretudo as explanações de Funabiki Takeo e Thomas Gill. Procurou-se depois, por meio de um questionário com perguntas abertas, verificar como esses intercambistas veem a identidade cultural japonesa em geral e em que medida suas experiências no Brasil podem influir em suas concepções.
Palavras-chave: Identitade cultura, Nihonjinron, Crenças, Características dos Japoneses

 

 

8 Mayara Barbosa Matias Marques
BLOQUEIO POR ANSIEDADE NA ORALIDADE EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Objetivo Geral: Identificar os bloqueios psicológicos em sala de aula que contribuem para a não- fluência da oralidade em língua japonesa. Objetivos específicos: 1) Identificar se o bloqueio de oralidade se desenvolve 2) Identificar de que forma ele se desenvolve 3) Identificar os possíveis mecanismos da ansiedade sobre o bloqueio 4) Identificar providências que podem ser tomadas para minimizar as ocorrências. Metodologia: Pesquisa Qualitativa e Estudo de Caso 1) Entrevista oral 2) Observação -20h 3) Questionário escrito Fundamentação teórica * FREUD (1932) – Ansiedade *BROWN (2007) – Inibição, Tensão e Ansiedade *WATSON (1913) – Condicionamento clássico * STEVICK (1980) – Sugestopedia Resultados : O intuito do trabalho de pesquisa foi investigar a existência de bloqueios na oralidade e a relação deles com episódios causadores da ansiedade em sala de aula, bem como condições pré-existentes de timidez e inibição. Por ser uma pesquisa de cunho emocional e subjetivo, não é possível generalizar uma conclusão. Entretanto, a partir da triangulação dos dados coletados, foi possível observação o quanto fatores psicológicos e emotivos envolvendo o ambiente de sala de aula, a relação entre aluno e professor e as metodologias propostas podem ser benéficos ou prejudiciais à aprendizagem especialmente no que diz respeito à oralidade em Língua Japonesa.
Palavras-chave: Ansiedade; Lingua Japonesa; Habilidade Oral; Sugestopedia

 

9 Adoniran Ribeiro Rocha
RECORTE DA HISTÓRIA DO ENSINO DE LÍNGUA JAPONESA NO DISTRITO FEDERAL: A ESCOLA DE JAPONÊS ARCAG
Nesse trabalho pretendemos reconstruir a história de uma instituição de ensino de língua japonesa localizada em região agrícola, uma característica da migração japonesa no Brasil. O objeto estudado é a Escola de Língua Japonesa ARCAG. Os migrantes nipônicos que vieram ao Brasil foram atraídos com uma promessa de enriquecimento rápido, proposta que conquistou muitos japoneses já que seu país de origem encontrava-se em crise econômica. Portanto os japoneses que se direcionavam ao Brasil não tinham a pretensão de se fixarem no país. Esse fato nos ajuda a compreender o porquê de alguns anos depois da chegada dos primeiros migrantes japoneses fossem construídas as escolas de língua japonesa. Para este trabalho foram realizadas entrevistas orais com pessoas envolvidas com a escola ARCAG. Essas entrevistas nos ajudaram a compreender a formação e funcionamento da escola. Foi verificado através dessas entrevistas que a escola é comunitária e formada principalmente por membros da região do INCRA, região onde fica a escola e as lavouras dos moradores. São os moradores que possuem domínio do idioma que dão as aulas para as crianças e jovens da comunidade. Foi também verificado que essa escola, como muitas desse tipo, iniciou suas atividades visando a língua japonesa como uma língua de herança e o curso servia para fazer a manutenção de um aspecto que Moriwaki e Nakata (2008) chama de “japonidade”, ou seja, manter os costumes e a língua japonesa. Verificamos, porém, que a escola encontra-se em processo de mudança, seguindo a direção apresentada por Moriwaki e Nakata(2008) de se tornar um curso voltado para objetivos comunicacionais específicos, aceitar alunos sem descendência ou ascendência nipônica, que frequentam a instituição apenas por interesse na língua e na cultura. As escolas de colônias, como a do INCRA 8 estudada nesse trabalho, mostram como os descendentes de imigrantes buscam preservar não exatamente a cultura de seu país natal, mas da própria colônia e de seus antepassados ainda lutam para preservar não exatamente a cultura de seu país natal mas da própria colônia e de seus antepassados nesse mundo ENTERMEDIARIOermediário que é alônia, um lugar que mistura Brasil e Japão. Esse mundo vem sendo deixado de lado, as atigas tradições vem sendo apagadas e tornando-se mais homogênea com a do Brasil.
Palavras-chave:

 

10 Daniel dos Santos Machado
O HAIKAI EM LÍNGUA PORTUGUESA, MÉTRICA E RIMA
O haicai se revela uma arte que se abrasileirou. A língua portuguesa do Brasil se tornou um terreno fecundo para produção destes pequenos poemas. A cada dia surgem mais escritores e mais literatura sobre o tema. Isso porque o Brasil teve uma história privilegiada em relação à cultura japonesa, graças a imigração dos trabalhadores nipônicos no início do século XX e ao interesse dos poetas brasileiros por novas formas artísticas. O haicai em língua portuguesa transita entre diversas técnicas, lançando mão de uma série de recursos temas e métricas. Para demonstrar a variedade destes poemas produzidos no Brasil este trabalho apresenta um levantamento do uso de recursos formais, rimas e métricas, utilizados na produção do haicai em língua portuguesa a partir de coletâneas destes poemas.
Palavras-chave: haicai, literatura japonesa, haiku

 

11 Solange Yumi Aoto
SHISEI: A METAMORFOSE ATRAVÉS DA TATUAGEM
O trabalho visa analisar o auto estudo empregado na tradução do conto Shisei para o português, com o objetivo de observar as possíveis interferências que o conhecimento sobre tradução causa na atividade quando realizada por um leigo. A pesquisa relata quais as técnicas mais utilizadas com levantamento de dados baseados na comparação do conto original com a segunda versão, as razões para tal aplicação, as dificuldades encontradas durante o processo e as soluções para superá-las e os aspectos culturais abordados no conto. A fundamentação teórica baseia-se nos procedimentos técnicos da tradução apresentadas no livro de Heloisa Gonçalves Barbosa e no artigo de Klondy Lúcia de Oliveira Agra, o qual mostra a importância da cultura e da língua na tradução. A maneira encontrada para explorar o assunto proposto pela pesquisa foi o delineamento explicativo, baseado em pesquisas bibliográficas. A abordagem indireta e indutiva são ideias para que os objetivos da pesquisa fossem alcançados plenamente. A afirmação de que não há técnica perfeita para a tradução vem da compreensão de que se trata de uma atividade complexa, pois o tradutor trabalha com línguas e culturas distintas. Espera-se, com a tradução do conto para o português, contribuir para a divulgação da cultura japonesa através de grandes obras literárias, enriquecendo e diversificando a publicação de escritores estrangeiros no Brasil.
Palavras-chave: Literatura Japonesa, Tradução Literária, Tanizaki Jun’ichiro, Shisei, Técnicas de Tradução

 

12 Valdeilton Lopes de Oliveira
O VIDEOGAME COMO FERRAMENTA DE APRENDIZADO
Este artigo foi escrito como requisito de conclusão da disciplina interfaces estéticas da aprendizagem colaborativa online da faculdade de educação da Universidade de Brasília – UnB, e propõem analisar as possibilidades pedagógicas de videogames não didáticos como ferramenta de ensino e aprendizagem de língua japonesa. Para isso será estudado o ato de jogar como proposto por Ruizinga (1999); as relações criadas durante o ato de jogar como proposto por Gee (2007), o aprendizado de línguas estrangeiras como proposto por Krashen (1981); as inteligências múltiplas como proposto por Gardner (1994) e o aprendizado baseado em tarefas como proposto por willis (1996). O jogo analisado será Kukkingu Mama (クッキングママ) lançado em 2006 para Nintendo DS, nele o jogador deve preparar receitas japonesas com o auxílio de comandos em japonês e uma caneta própria do console. Os dados apresentados são também do curso temático: O videogame como ferramenta de aprendizado da língua japonesa, que se realiza neste semestre universidade de Brasília e as possibilidades e problemas encontrados no uso do videogame como ferramenta de aprendizado.
Palavras-chave: Video games, motivação, domínios semióticos,

 

13 Veryanne Couto Teles
AUDIODESCRIÇÃO SIMULT NEA: PROPOSTA DE UM MODELO QUE ATENDA A AUDIODESCRITORES BRASILEIROS

 

s transformações da sociedade brasileira, especialmente nas últimas décadas, vêm consolidando a confluência da discussão da inclusão de grupos sociais historicamente marginalizados. Desse amplo processo faz parte o crescente desenvolvimento da acessibilidade e seus mecanismos, como esforço para integrar uma parcela importante da população: as pessoas com deficiência. A audiodescrição (AD), assim como outras formas de tradução audiovisual, desempenha papel importante como ferramenta de acessibilidade, e por isso mesmo vem ganhando destaque. Para uma consolidação satisfatória do propósito da AD no país, necessita de esforços de convergência de aspectos técnicos e teóricos dos campos de conhecimento específicos de cada meio e obra a ser produzido. Neste trabalho apresentamos um confronto entre estética cinematográfica e da semiótica com os procedimentos da audiodescrição a fim de verificar como a influência do conhecimento daqueles fatores pode contribuir para formação e o trabalho do audiodescritor, utilizando como objeto de análise a obra fílmica “A mulher invisível” audiodescrita, para a qual se elabora uma proposta de um novo roteiro de audiodescrição tendo como base os conceitos de semiótica pierciana e a estética cinematográfica, bem como suas características relevantes que corroboram para compreensão da obra, como plano, enquadramentos e movimento de câmera, além o conjunto de elementos que a elas estão envolvidas, como narratologia e gramática do cinema e da familiaridade do espectador com o cinema.
Palavras-chave: Tradução Audiovisual, Audiodescrição, Acessibilidade, Semiótica e Estética Cinematográfica.

 

 

14 Marcus Vinicius de Lira Ferreira Tanaka
SPRACHBÜNDE E ADJETIVOS: QUANTO É POSSÍVEL SABER SOBRE PROPRIEDADES SINTÁTICAS COM BASE NA REGIÃO?
Zonas de convergência, ou Sprachbünde, têm uma longa história em linguística, sendo reconhecidas como as regiões em que diferentes línguas apresentam características compartilhadas que não podem ser explicadas por uma origem genética comum (HEINE & KUTEVA, 2006, p. 4). Devido à possibilidade de zonas de convergência poderem influenciar um levantamento tipológico por super-representar as estruturas compartilhadas em uma determinada região, Ferreira (2015) dividiu o globo em seis macrorregiões a fim de evitar qualquer tipo de super-representação areal. Ao analisar sessenta línguas, foram escolhidas dez línguas de cada uma das seguintes macrorregiões: América do Norte, América do Sul, Eurásia (Europa e sul e leste asiáticos), Sudeste Asiático e Oceania, Papuanésia (Papua Nova Guiné) e África. Numa análise do comportamento de adjetivos na função atributiva em diferentes línguas do mundo, e dividindo seu comportamento de acordo com as propriedades morfossintáticas, foram percebidas tendências em que as macrorregiões se assemelham a zonas de convergência no sentido em que cada região apresentou uma preferência por um tipo de comportamento morfossintático adjetival. Um exemplo foi a tendência de adjetivos apresentarem características nominais na Eurásia (31% maior do que o esperado) e apresentarem características verbais no Sudeste Asiático e Oceania (16% a mais). O presente trabalho visa explicar como se deu a variação nos dados encontrados e quais são as consequências dessa variação para outros levantamentos funcionais tipológicos
Palavras-chave: tipologia funcional, zonas de convergência, adjetivos
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